Artigo por Dra. Elizabete Blanc
Membro da ASBAI RJ
GRIPE SUÍNA
A gripe é uma enfermidade que atinge o sistema respiratório com repercussões importantes em todo o organismo. Diferente dos resfriados comuns que atingem apenas as vias respiratórias superiores, a gripe, causa além dos sintomas respiratórios altos (coriza, espirros, obstrução nasal, coceiras no nariz, olhos e garganta), causa também dores e peso na cabeça, dores no corpo (músculos e articulações), febre alta, mal estar geral e astenia (desânimo). Em alguns casos, ocorrem também diarréias.
Os germes causadores da gripe são os Vírus influenza. Existem 3 tipos de Vírus influenza: Tipo “A”, “B” e “C”, que se diferem segundo a sua diversidade antigênica. São muito contagiosos e tem uma grande capacidade de se transformar, mudando sua estrutura (mutação), principalmente o tipo “A”. Os tipos “A” e B”, são os de maior morbidade (taxa de doentes em relação à uma população) e mortalidade, que o tipo “C”. O tipo “C” infecta humanos e suínos e os “A” e “B” além de humanos e suínos, infectam muitos outros animais.
Quando vírus da influenza de diversas espécies infectam simultaneamente o mesmo animal, podem reorganizar-se geneticamente favorecendo a ocorrência de inúmeras combinações e originar uma nova cepa de vírus como a que aconteceu com este novo vírus que está circulando, o A/H1N1. A análise deste vírus sugere que ele seja uma combinação de características das gripes suína, humana e aviária, determinando uma nova epidemia de gripe, semelhante àquela que surgiu em 1918, conhecida como gripe espanhola, embora sua origem ainda seja desconhecida.
A transmissão da gripe ocorre através da emissão de gotículas de aerossol ao espirrar, tossir e até mesmo em falar, por pessoas infectadas. Pode também ocorrer transmissão de maneira direta a partir de aves e suínos, mas até o momento não há indícios de que os casos de gripes causadas pelo vírus influenza A/H1N1 tenham se originado do contato do homem com algum porco infectado, ao contrário do que ocorreu com a gripe aviária, pois parece que este tipo de vírus não se espalha tão facilmente entre humanos como ocorre entre os porcos. Em relação à ingestão de carne, o vírus morre com o calor e a carne cozida acima de 71º C fica livre do vírus, assim como de muitos outros micoorganismos.
A transmissão pode ocorrer num intervalo que varia entre 2 dias antes até 5 dias após o aparecimento dos sintomas, com um período de incubação que também varia em torno de 2 a 7 dias. No caso da gripe suína os sintomas são mais agudos em relação às demais.
Em qualquer tipo de gripe, o período do ano entre outono e inverno e início da primavera é mais propício ao contágio, pois a baixa temperatura favorece a replicação viral, aliada ao fato das pessoas estarem sujeitas as aglomerações, em ambientes fechados. Os cuidados para evitar a transmissão e os riscos de complicação como a pneumonia são os mesmos para qualquer tipo de gripe e devem ser redobrados principalmente nos idosos e crianças que tem maior risco, pois, o sistema imunológico nestes extremos é mais deficiente embora os vírus que contém material genético do aviário sejam mais perigosos nos indivíduos imunologicamente competente (pessoas saudáveis) pela própria resposta do organismo no combate ao vírus ser muito intensa, causando uma forte reação inflamatória no pulmão.
O tratamento consiste em cuidados gerais, hidratação para evitar as complicações, lavagem constante das mãos, evitar o contato das mãos com os olhos e boca e isolamento para evitar a transmissão. Para combater o vírus existe o antiviral Onseltamivir (Tamiflu), disponível na rede pública, para ser usado apenas por recomendação médica, a partir de um protocolo definido pelo Ministério da Saúde. Este medicamento só faz efeito se for usado até 48 horas a partir do início dos sintomas e nem todos os infectados necessitam usá-lo.
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